Livro "Desenho Cego", encadernado à mão, com capa de papel vegetal colorido.
25 de maio de 2014
"I once lived in a Boogodobiegodongo and I felt better."
Boogodobiegodongo from peter millard on Vimeo.
pequena grande leitora
estávamos lá na feira no fim de semana passado quando uma moça se aproximou e disse, apontando pro livro a fada inflada, "esse livro... era o meu preferido quando eu era criança". a gente levou um susto, pensou que ela devia ter se enganado, mas não! ela fazia parte de uma turma de escola que fomos visitar logo após o lançamento na pracinha pública, em 2007. sensação de vertigem. quando se tem 9 anos, e depois 16, tudo muda. ela, que se chama Zoe, disse, "eu lia muito esse livro". como o tempo do livro é outro, vagaroso, silencioso. e como foi bonito saber que esse foi o livro que uma criança escolheu ler muito.
Após um longo inverno, voltamos às postagens aqui no blog. Desde de que lançamos Azulzim, muita coisa aconteceu por aqui. Começamos a conhecer um monte de gente que faz livros e circula por aí com suas banquinhas na Turnê, Pão de Forma e Feira Plana, feiras de publicações independentes visitadas por quem gosta de cheiro de tinta, encadernação artesanal e formatos de todos os tipos, gente que vê nos livros paisagens para arranjos inesperados de imagens e escrita. A gente participou da feira Pão de Forma em abril com livros novos, "Uns Dias", "Coisa" e "Desenho Cego", feitos cuidadosamente à mão.
28 de outubro de 2012
Por aqui estamos muito felizes com o nascimento de Anotações Noturnas, da Tati. O livro foi vencedor do concurso 10x15 - livro em pequeno formato, realizado pela Publicações Iara, de Sampa. O lançamento aconteceu na Turnê, uma feira de livros muito bacanas feitos por gente de várias editoras independentes do Brasil. Tem mais sobre o livro aqui. (As fotos lindas aí de cima são da Fernanda Grigolin). O livro está à venda na loja da Iara.
21 de julho de 2012
sem palavras
Às vezes as ideias que gostam da noite nos segredam narrativas que esquecemos pela manhã. A gente costuma chamar essas histórias de sonhos. Vez ou outra sonhamos virando as páginas de um livro-imagem (aquele não tem nenhuma palavra impressa). O Sonho de Vitório, de Veridiana Scapelli, é tão bom que a gente chega a duvidar se foi o porquinho roliço e simpático quem sonhou, ou nós. Parece que Vitório apareceu de repente, como quem não quer nada, fazendo Veridiana sonhá-lo no papel para nós. Veja o relato da autora/ilustradora sobre o processo de criação do livro aqui.
21 de junho de 2012
nuvem
Katsumi Komagata começou a fazer livros para crianças quando sua filha Aï nasceu, em 1990. Conheça a delicadeza concisa de Nuvem e de outros trabalhos do designer no site da editora One Stroke.
23 de abril de 2012
a doce ironia de Isol
A menina queria ter os cabelos mais longos e um cavalo para ir à escola. Mas não tinha essas coisas. Ela queria ser forte como uma árvore. Mas não era. Um gênio aparece de repente concedendo-a um desejo. "Só um?" Pronto: "Quero TUDO!". "Tudo não tem", diz o gênio, oferecendo à menina um coelho cinza. Ah se o coelho fosse azul...! Pero no. Cosas que Pasan, de Isol. Para curar ataques intermitentes de insatisfação.
15 de abril de 2012
na varanda
Os desenhos formam pequenas histórias, delicadas em escala, mas não menos brutais por isso. Há muito espaço e silêncio entre as páginas. E é como se os eventos acontecidos na varanda durante um verão fossem colhidos pelo tempo. Lembra o que Bashô dizia sobre o haikai: "é apenas o que está acontecendo aqui e agora". E o que acontece é muito. "O Bonsai parecia o mesmo..." Só parecia.
25 de março de 2012
amizade incomum
“Fazia tempo que o pato sentia que algo
não ia bem”, diz o narrador. Nesse momento conhecemos a morte, no mesmo
instante em que o pato repara que ela está acompanhando-o. A morte com seu
camisolão quadriculado e sapatilhas pretas. Ela é miúda, quase delicada, a
despeito da cabeça de caveira. Tem a medida do pato, como se fosse seu duplo ou
sombra, e carrega uma tulipa roxa – algo que nunca é mencionado no texto e
que o pato nem sequer percebe ou problematiza. Erlbruch faz o pato reagir à
presença da morte com uma sutileza marcante. Ele arregala os olhos, o corpo
ereto, e pergunta: “você vai me levar agora?”. A morte diz que está sempre por
perto por via das dúvidas.
O pato, por sua
vez, demonstra uma gentileza ingênua: “Vamos até o lago?”, pergunta. “Esse
era o medo que a morte tinha”, mas o pato a convence. Depois do mergulho, ele
se oferece para aquecê-la: “Ninguém jamais havia feito a ela uma proposta
parecida”. Na página inteiramente branca, Erlbruch desenha um pedaço de arbusto
e o pato, cobrindo o corpo frio da morte com suas asas e pescoço lânguidos. Assim, os dois iniciam um convívio imprevisto, improvável.
Se a morte num primeiro momento assusta o pato, em outro, ela se mostra paciente. Mais do que isso, ela é
(quase) seduzida pela vida. A maneira como Erlbruch põe os dois para
conversarem, e a animação contida demonstrada pela morte quando ainda existe a
possibilidade dela passear um pouco mais, revelam uma relação de estranha
familiaridade, um encontro tão inevitável como natural. Quando o
pato começa a sucumbir, aparece um corvo solitário no centro da página. O
pássaro voa sem a companhia das palavras na página. Grita de bico aberto, em
silêncio estridente. O pato começa a fraquejar. Aos poucos, a relação entre ele e a morte se torna contemplativa. “Nas semanas seguintes, eles
foram cada vez menos ao lago. Ficavam a maior parte do tempo sentados na grama,
e falavam pouco”.
“Estou com frio – disse o pato uma noite – Você não quer me
esquentar um pouco?” A imagem que acompanha essa pergunta é a do pato segurando
as duas mãos da morte. Estão cara a cara, próximos como em nenhuma outra página
do livro. Sentimos uma pontada. Sabemos o que vai acontecer. Mesmo assim
viramos a página, pois temos confiança nessa morte, nem invasiva, nem
truculenta, essa morte sub-reptícia, que é afinal um fato da vida, nos
transmite uma estranha coragem. E assim, na próxima página, em que pela
primeira vez aparece a cor azul, vemos a morte sentada ao lado do pato,
observando sua figura quieta e serena com uma expressão de (quase) tristeza.
“Alguma coisa tinha acontecido”, escreve o narrador.
Uma neve fina e delicada – pontos minúsculos na página azul – cai sobre
os dois. É chegado o inverno, o luto, o recolhimento. A morte então alisa as
penas no corpo do pato. Não vemos o seu gesto porque Erlbruch prefere
apenas dizê-lo: “A morte alisou algumas penas que tinham se arrepiado um
pouquinho”. Imaginamos a morte
deixando seu rastro no corpo do pato, feito uma marca invisível. E então, como
se fizesse parte de uma solenidade, a morte caminha com o pato nos
braços até o rio, o pato cujo pescoço outrora quente e aconchegante, pende, sem
vida. A morte molha os pés, embora não goste de se molhar (como Erlbruch nos
mostrou em uma das primeiras páginas do livro), põe o pato na água, e a tulipa
em cima do corpo, dando-lhe um “leve empurrãozinho”. À beira do rio imenso, ela observa o pato aos poucos desaparecer. “Por pouco a morte não ficou
triste. Mas assim era a vida”.
Clique aqui para ler uma entrevista com Wolf Erlbruch.
8 de janeiro de 2012
quando a mãe vira um balão...
Em "El Globo", de Isol, escritora/ilustradora argentina, uma menina de repente vê seu desejo realizado: a mãe brigona e escandalosa se transforma em um balão vermelho. A menina encara a satisfação e o estranhamento provocado por essa súbita mutação. O balão instaura o silêncio, mas é também vermelho gritante. Isol consegue traduzir sentimentos complexos, tais como a raiva, sem nomeá-los explicitamente. Assim deixa espaço para o leitor se relacionar com a narrativa como bem quiser, ou precisar. (editora Fondo de Cultura Econômica).
24 de dezembro de 2011
21 de dezembro de 2011
o que é uma criança?
"As crianças choram porque uma pedrinha caiu na água, porque o xampu faz arder os olhos, porque estão com sono, porque está escuro. Choram alto, para todo mundo ouvir. Para se consolar, elas só precisam de um olhar carinhoso. E de uma luzinha ao lado da cama."
"As crianças têm coisas pequenas como elas mesmas: uma cama pequena, pequenos livros coloridos, um guarda-chuva pequeno, uma cadeira pequena. Mas elas vivem num mundo muito grande; tão grande, que as cidades não existem, os ônibus se erguem no espaço e as escadas não têm fim."
"O que é uma criança?", de Beatrice Alemagna (Martins Fontes), é um livro feito de retratos, um grande livro em mais de um sentido. É bom de segurar entre as mãos e de ler com aquela parte em nós que não mudou, embora a Beatrice diga que "todas crianças são pessoas pequenas que um dia vão mudar".
19 de dezembro de 2011
nossos primos
A história começa assim: "Na primeira página há um grande vazio, sozinho" (o vazio é o maior personagem na capa do livro acima). "Todos estão atrasados. O céu está no chuveiro e a terra está arrumando os cabelos, e a água, que está nas nuvens e no chuveiro ao mesmo tempo, também tem que esperar. E o vazio bate o pezinho, impaciente. Humph!" Bob & Co. (ou Bob & Cie no original), de Delphine Durand, é um mito cosmogônico adorável e cômico em que os personagens (inclusive deus!) disputam a página em branco, discutindo a ordem dos fatos na criação do mundo e da própria narrativa do livro. Afinal, ninguém sabe como a história começa. "Ok, diz a terra. Eu tenho algumas reclamações! A água está tomando todo o espaço! Isso não tem nada a ver comigo, diz a história; eu só sou responsável pelas ideias." Bom demais!
15 de dezembro de 2011
o rei acha que manda...
— Xô! — exlamou o rei, que tentava espantar uma abelha da flor. — Eu sou o rei daqui — gritou ele.
— Eu também — disse a abelha, e picou.
— Como vai você? — o rei perguntou ao livro.
— É o que eu pergunto a você o tempo todo — disse o livro.
Do livro "O Rei e o Mar", de Heinz Janisch. Ilustrações de Wolf Erlbruch (Companhia das Letrinhas). Parábolas delicadas sobre um rei cujo poder é desafiado por toda sorte de seres, objetos e fenômenos: um trompete, o cansaço, um gato, a chuva, um esquilo, o céu, uma estrela, uma nuvem, um lápis e, claro, o mar.
— Eu também — disse a abelha, e picou.
— Como vai você? — o rei perguntou ao livro.
— É o que eu pergunto a você o tempo todo — disse o livro.
Do livro "O Rei e o Mar", de Heinz Janisch. Ilustrações de Wolf Erlbruch (Companhia das Letrinhas). Parábolas delicadas sobre um rei cujo poder é desafiado por toda sorte de seres, objetos e fenômenos: um trompete, o cansaço, um gato, a chuva, um esquilo, o céu, uma estrela, uma nuvem, um lápis e, claro, o mar.
11 de dezembro de 2011
verde limão
12 de novembro de 2011
novo lançamento + instalação sonora!
Para quem perdeu o lançamento em agosto, vamos montar a instalação sonora Azulzim no domingo, dia 20 de novembro, a partir das 16h, no Midrash Centro Cultural, Rua General Venâncio Flores, 184, Leblon. Entrada franca.
10 de outubro de 2011
jardim de livros-sanfona
Fomos convidadas pela Maria para participar da festa Primavera do Humaitá, no dia 8 de outubro, organizada por ela. As pessoas e as ideias circularam pelo bairro num lindo dia de sol. Foi uma delícia! Teve música, comidinhas, vizinhos trocando sorrisos e objetos que não usam mais. As crianças puderam aprender um monte de coisas novas... como cultivar minhocas e fazer compostagem, reciclar o lixo eletrônico, encadernar e criar adereços a partir de material reciclado. A gente levou Azulzim e um jardim de livros-sanfona para as crianças criarem suas próprias histórias. Segundos após espalharmos os livros pela rua em frente à Cobal, as crianças já estavam instaladas, bem à vontade.
7 de setembro de 2011
5 de setembro de 2011
Azulzim, um banquinho e um violão
Canção do nosso querido amigo Julio Dain feita a partir do livro para a instalação sonora!
4 de setembro de 2011
azul celeste, azul marinho
Alguns dias antes do lançamento de Azulzim, encontrei um amigo na rua, acompanhado do filho de seis anos. Ao ouvir o pai perguntar onde seria o lançamento, o Felipe, que tinha cerca de dois anos quando lançamos a fada inflada, disse: “O outro foi no parquinho”. Senti uma alegria incomum ao perceber que a imagem da fada desaparecendo na imensidão do céu sobre a Praça Pio XI ficara registrada na memória do menino, bem menino ainda. Não sei se foi essa a imagem que ele guardara. Talvez nem fosse imagem, apenas uma sensação, aquele dom difuso da memória: resquícios de luz filtrada pelas copas das árvores, bolhas de sabão, melancia vermelho vivo. Gosto de imaginar a memória dele, a partir da minha, que então vira outra, caleidoscópica e contínua. Depois dessa tarde na praça, vimos que lançamento só teria cara de lançamento se o livro fosse também uma experiência que transbordasse da página. Brincamos a sério fazendo o livro, brincamos de novo criando suas variações. Para ver Azulzim nascer, a gente montou uma instalação, um ambiente marítimo revestido de colchões. Sobre as paredes azuis foram projetadas sombras de peixes e de outras criaturas. As pessoas pequeníssimas, médias e grandes se reuniram ali dentro, numa tarde cheia de ventos e chuva, para ouvir trechos do livro narrados em várias línguas. Babel netuniana. Todos concentrados, unidos pelo som que foi minuciosamente composto por nossa amiga Joana. A princípio pensamos que a chuva viera para atrapalhar. Mas foi justo o contrário. A tarde virou espelho da imagem central do livro, "o céu beijou o mar", inteiramente Azulzim. Obrigada a todos que vieram mergulhar com a gente!
[fotos: Tatiana Altberg]
17 de agosto de 2011
6 de agosto de 2011
2 de agosto de 2011
Azulzim foi dar uma volta no Japão
[vídeo: Marina Fraga / voz e tradução do livro para o japonês: Mariko Arai]
31 de julho de 2011
28 de julho de 2011
24 de julho de 2011
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