23 de abril de 2012

a doce ironia de Isol





A menina queria ter os cabelos mais longos e um cavalo para ir à escola. Mas não tinha essas coisas. Ela queria ser forte como uma árvore. Mas não era. Um gênio aparece de repente concedendo-a um desejo. "Só um?" Pronto: "Quero TUDO!". "Tudo não tem", diz o gênio, oferecendo à menina um coelho cinza. Ah se o coelho fosse azul...! Pero no. Cosas que Pasan, de Isol. Para curar ataques intermitentes de insatisfação.

15 de abril de 2012

na varanda

Os desenhos formam pequenas histórias, delicadas em escala, mas não menos brutais por isso. Há muito espaço e silêncio entre as páginas. E é como se os eventos acontecidos na varanda durante um verão fossem colhidos pelo tempo. Lembra o que Bashô dizia sobre o haikai: "é apenas o que está acontecendo aqui e agora". E o que acontece é muito. "O Bonsai parecia o mesmo..." Só parecia. 




25 de março de 2012

amizade incomum




“Fazia tempo que o pato sentia que algo não ia bem”, diz o narrador. Nesse momento conhecemos a morte, no mesmo instante em que o pato repara que ela está acompanhando-o. A morte com seu camisolão quadriculado e sapatilhas pretas. Ela é miúda, quase delicada, a despeito da cabeça de caveira. Tem a medida do pato, como se fosse seu duplo ou sombra, e carrega uma tulipa roxa – algo que nunca é mencionado no texto e que o pato nem sequer percebe ou problematiza. Erlbruch faz o pato reagir à presença da morte com uma sutileza marcante. Ele arregala os olhos, o corpo ereto, e pergunta: “você vai me levar agora?”. A morte diz que está sempre por perto por via das dúvidas.

O pato, por sua vez, demonstra uma gentileza ingênua: “Vamos até o lago?”, pergunta. “Esse era o medo que a morte tinha”, mas o pato a convence. Depois do mergulho, ele se oferece para aquecê-la: “Ninguém jamais havia feito a ela uma proposta parecida”. Na página inteiramente branca, Erlbruch desenha um pedaço de arbusto e o pato, cobrindo o corpo frio da morte com suas asas e pescoço lânguidos. Assim, os dois iniciam um convívio imprevisto, improvável.

Se a morte num primeiro momento assusta o pato, em outro, ela se mostra paciente. Mais do que isso, ela é (quase) seduzida pela vida. A maneira como Erlbruch põe os dois para conversarem, e a animação contida demonstrada pela morte quando ainda existe a possibilidade dela passear um pouco mais, revelam uma relação de estranha familiaridade, um encontro tão inevitável como natural. Quando o pato começa a sucumbir, aparece um corvo solitário no centro da página. O pássaro voa sem a companhia das palavras na página. Grita de bico aberto, em silêncio estridente. O pato começa a fraquejar. Aos poucos, a relação entre ele e a morte se torna contemplativa. “Nas semanas seguintes, eles foram cada vez menos ao lago. Ficavam a maior parte do tempo sentados na grama, e falavam pouco”.

“Estou com frio – disse o pato uma noite – Você não quer me esquentar um pouco?” A imagem que acompanha essa pergunta é a do pato segurando as duas mãos da morte. Estão cara a cara, próximos como em nenhuma outra página do livro. Sentimos uma pontada. Sabemos o que vai acontecer. Mesmo assim viramos a página, pois temos confiança nessa morte, nem invasiva, nem truculenta, essa morte sub-reptícia, que é afinal um fato da vida, nos transmite uma estranha coragem. E assim, na próxima página, em que pela primeira vez aparece a cor azul, vemos a morte sentada ao lado do pato, observando sua figura quieta e serena com uma expressão de (quase) tristeza. “Alguma coisa tinha acontecido”, escreve o narrador.

Uma neve fina e delicada – pontos minúsculos na página azul – cai sobre os dois. É chegado o inverno, o luto, o recolhimento. A morte então alisa as penas no corpo do pato. Não vemos o seu gesto porque Erlbruch prefere apenas dizê-lo: “A morte alisou algumas penas que tinham se arrepiado um pouquinho”. Imaginamos a morte deixando seu rastro no corpo do pato, feito uma marca invisível. E então, como se fizesse parte de uma solenidade, a morte caminha com o pato nos braços até o rio, o pato cujo pescoço outrora quente e aconchegante, pende, sem vida. A morte molha os pés, embora não goste de se molhar (como Erlbruch nos mostrou em uma das primeiras páginas do livro), põe o pato na água, e a tulipa em cima do corpo, dando-lhe um “leve empurrãozinho”. À beira do rio imenso, ela observa o pato aos poucos desaparecer. “Por pouco a morte não ficou triste. Mas assim era a vida”. 

Clique aqui para ler uma entrevista com Wolf Erlbruch.

8 de janeiro de 2012

quando a mãe vira um balão...

















Em "El Globo", de Isol, escritora/ilustradora argentina, uma menina de repente vê seu desejo realizado: a mãe brigona e escandalosa se transforma em um balão vermelho. A menina encara a satisfação e o estranhamento provocado por essa súbita mutação. O balão instaura o silêncio, mas é também vermelho gritante. Isol consegue traduzir sentimentos complexos, tais como a raiva, sem nomeá-los explicitamente. Assim deixa espaço para o leitor se relacionar com a narrativa como bem quiser, ou precisar. (editora Fondo de Cultura Econômica).

24 de dezembro de 2011

feliz 2012!

Picasso por Cartier-Bresson

21 de dezembro de 2011

o que é uma criança?


"As crianças choram porque uma pedrinha caiu na água, porque o xampu faz arder os olhos, porque estão com sono, porque está escuro. Choram alto, para todo mundo ouvir. Para se consolar, elas só precisam de um olhar carinhoso. E de uma luzinha ao lado da cama."























"As crianças têm coisas pequenas como elas mesmas: uma cama pequena, pequenos livros coloridos, um guarda-chuva pequeno, uma cadeira pequena. Mas elas vivem num mundo muito grande; tão grande, que as cidades não existem, os ônibus se erguem no espaço e as escadas não têm fim."

"O que é uma criança?", de Beatrice Alemagna (Martins Fontes), é um livro feito de retratos, um grande livro em mais de um sentido. É bom de segurar entre as mãos e de ler com aquela parte em nós que não mudou, embora a Beatrice diga que "todas crianças são pessoas pequenas que um dia vão mudar".

19 de dezembro de 2011

nossos primos


A história começa assim: "Na primeira página há um grande vazio, sozinho" (o vazio é o maior personagem na capa do livro acima). "Todos estão atrasados. O céu está no chuveiro e a terra está arrumando os cabelos, e a água, que está nas nuvens e no chuveiro ao mesmo tempo, também tem que esperar. E o vazio bate o pezinho, impaciente. Humph!" Bob & Co. (ou Bob & Cie no original), de Delphine Durand, é um mito cosmogônico adorável e cômico em que os personagens (inclusive deus!) disputam a página em branco, discutindo a ordem dos fatos na criação do mundo e da própria narrativa do livro. Afinal, ninguém sabe como a história começa. "Ok, diz a terra. Eu tenho algumas reclamações! A água está tomando todo o espaço! Isso não tem nada a ver comigo, diz a história; eu só sou responsável pelas ideias." Bom demais!

15 de dezembro de 2011

o rei acha que manda...

 — Xô! — exlamou o rei, que tentava espantar uma abelha da flor. — Eu sou o rei daqui — gritou ele.
— Eu também — disse a abelha, e picou.
— Como vai você? — o rei perguntou ao livro.
— É o que eu pergunto a você o tempo todo — disse o livro.

Do livro "O Rei e o Mar", de Heinz Janisch. Ilustrações de Wolf Erlbruch (Companhia das Letrinhas). Parábolas delicadas sobre um rei cujo poder é desafiado por toda sorte de seres, objetos e fenômenos: um trompete, o cansaço, um gato, a chuva, um esquilo, o céu, uma estrela, uma nuvem, um lápis e, claro, o mar.

11 de dezembro de 2011

verde limão


Eu e meu irmão. Cada um de um lado da bicicleta. Entre nós, ela, a mãe, sentada no banco enquanto seguramos o guidom. Ela tenta pedalar. As pernas tremem. A bicicleta imita o movimento do corpo. Ela, que aos quarenta e poucos anos ainda não sabe andar de bicicleta, insiste. Não se cansa. Nós, ainda crianças, sim, nos cansamos. Distraídos com a tarefa de implicar um com o outro, largamos o guidom e rolamos pela grama com cheiro de capim limão, encenando uma luta. De repente nos damos conta de que ela, a mãe que achávamos nunca iria aprender a andar de bicicleta, está descendo a ladeira que conduz à rua de baixo, enquanto pedala, instável e satisfeita. Rapidamente já estamos de pé, correndo para alcançá-la, gargalhando entre os grãos de poeira e os raios do último sol.

12 de novembro de 2011

novo lançamento + instalação sonora!

Para quem perdeu o lançamento em agosto, vamos montar a instalação sonora Azulzim no domingo, dia 20 de novembro, a partir das 16h, no Midrash Centro Cultural, Rua General Venâncio Flores, 184, Leblon. Entrada franca.

10 de outubro de 2011

jardim de livros-sanfona

















Fomos convidadas pela Maria para participar da festa Primavera do Humaitá, no dia 8 de outubro, organizada por ela. As pessoas e as ideias circularam pelo bairro num lindo dia de sol. Foi uma delícia! Teve música, comidinhas, vizinhos trocando sorrisos e objetos que não usam mais. As crianças puderam aprender um monte de coisas novas... como cultivar minhocas e fazer compostagem, reciclar o lixo eletrônico, encadernar e criar adereços a partir de material reciclado. A gente levou Azulzim e um jardim de livros-sanfona para as crianças criarem suas próprias histórias. Segundos após espalharmos os livros pela rua em frente à Cobal, as crianças já estavam instaladas, bem à vontade.

7 de setembro de 2011

instalação sonora


[desenho sonoro: Joana Bergman / imagens e edição: Tatiana Altberg]

5 de setembro de 2011

Azulzim, um banquinho e um violão


Canção do nosso querido amigo Julio Dain feita a partir do livro para a instalação sonora!

4 de setembro de 2011

azul celeste, azul marinho

























Alguns dias antes do lançamento de Azulzim, encontrei um amigo na rua, acompanhado do filho de seis anos. Ao ouvir o pai perguntar onde seria o lançamento, o Felipe, que tinha cerca de dois anos quando lançamos a fada inflada, disse: “O outro foi no parquinho”. Senti uma alegria incomum ao perceber que a imagem da fada desaparecendo na imensidão do céu sobre a Praça Pio XI ficara registrada na memória do menino, bem menino ainda. Não sei se foi essa a imagem que ele guardara. Talvez nem fosse imagem, apenas uma sensação, aquele dom difuso da memória: resquícios de luz filtrada pelas copas das árvores, bolhas de sabão, melancia vermelho vivo. Gosto de imaginar a memória dele, a partir da minha, que então vira outra, caleidoscópica e contínua. Depois dessa tarde na praça, vimos que lançamento só teria cara de lançamento se o livro fosse também uma experiência que transbordasse da página. Brincamos a sério fazendo o livro, brincamos de novo criando suas variações. Para ver Azulzim nascer, a gente montou uma instalação, um ambiente marítimo revestido de colchões. Sobre as paredes azuis foram projetadas sombras de peixes e de outras criaturas. As pessoas pequeníssimas, médias e grandes se reuniram ali dentro, numa tarde cheia de ventos e chuva, para ouvir trechos do livro narrados em várias línguas. Babel netuniana. Todos concentrados, unidos pelo som que foi minuciosamente composto por nossa amiga Joana. A princípio pensamos que a chuva viera para atrapalhar. Mas foi justo o contrário. A tarde virou espelho da imagem central do livro, "o céu beijou o mar", inteiramente Azulzim. Obrigada a todos que vieram mergulhar com a gente!

[fotos: Tatiana Altberg]

17 de agosto de 2011

6 de agosto de 2011

2 de agosto de 2011

Azulzim foi dar uma volta no Japão


[vídeo: Marina Fraga / voz e tradução do livro para o japonês: Mariko Arai]

peixe fresco, saindo da gráfica!

31 de julho de 2011


[voz e violoncelo: Mariana Carneiro da Cunha]

28 de julho de 2011

24 de julho de 2011

Azulzim está chegando


[desenho de som: Joana Bergman]

fada em festa. vem novidade por aí!


a metamorfose da fada

19 de agosto de 2009

a primavera é a imaginação do inverno

Quem escreveu esta linda frase em cima foi a Tatiana, que conta histórias com imagens. Hibernamos durante o outono e ao longo do inverno. Mas nunca vi uma hibernação tão cheia de tarefas. Mudanças de todo tipo, inclusive de endereço! E junto mudam nosso(s) ponto(s) de vista. Estamos agora em Laranjeiras. Aqui tem muito jeito de bairro. A gente até ganha pastel quando passa pela Tasca do Edgar (no novo ponto, ainda na rua Alice, pois o senhorzinho adorável que sabe cuidar da sua clientela mudou de lugar). Agora que a primavera está chegando é hora de pensar na coisas que brotam e frutificam.

8 de março de 2009

viva o Zé Pereira

Nos escondemos do sol que reluz, implacável, como um olho de Cíclope no centro do céu. Os tamborins e os bumbos ainda ecoam pelas ruas do Rio. Resquícios do carnaval brilham aqui e acolá, grãos de purpurina aninhados nas rachaduras do asfalto. Coisas mínimas, delicadas, relembrando o delírio. Dentro de casa, as coisas buscaram nova moradia, após o vendaval de preparativos para confeccionar, a partir de nada especial, fantasias memoráveis. Lá se vão duas semanas e ainda encontro confetes em lugares tão improváveis como os vasos de plantas na varanda – quem sabe nascerá em breve uma árvore de confetes. Poderei então colher essas alegrias miúdas quando eu quiser e guardá-las para o próximo carnaval.

22 de janeiro de 2009

a verdade da máscara

No documentário inspirador "Pan-Cinema Permanente", de Carlos Nader, Waly Salomão grita, turbilhonante: “Chega de papo furado de que o sonho acabou. A vida é sonho!” Me lembrei da frase de Shakespeare: “We are such stuff as dreams are made on” (Somos feitos do mesmo material de que são feitos os sonhos). Waly, dono de uma "espontaneidade construída”, segundo Antonio Cicero, defendia com versos e veemência a verdade da representação. No lugar da transparência, Waly preferia a “opacidade da máscara” e no filme declara: "Não preciso de verdades. Para viver, você precisa de mentiras". Mentira aqui talvez seja sinônimo de verdade vivida, algo singular, que aparece à medida que cada pessoa cria a si mesma. Waly parece irmão espiritual do dramaturgo Pirandello, para quem a verdade não é algo que existe por si , que antecede sua própria construção. Nesse sentido, somos todos verdadeiros mentirosos, desempenhando os papéis que nós mesmos inventamos. As verdades são infindáveis e múltiplas. "Pan-Cinema Permanente". Lúcida delícia. Retrato preciso de um artista desmedido e dedicado à farsa divina da existência.

Amante da Algazarra

"Não sou eu quemcoices ferradurados no ar. / É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto. / É ela!!! / Todo mundo sabe, sou uma lisa flor de pessoa, / Sem espinho de roseira nem áspera lixa de folha de figueira. / Esta amante da balbúrdia cavalga encostada ao meu sóbrio ombro / Vixe!!! / Enquanto caminho a , pedestreperegrino atônito até a morte. / Sem motivo nenhum de pranto ou angústia rouca ou desalento: Não sou eu quemcoices ferradurados no ar. / É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto E se apossou do estojo de minha figura e dela expeliu o estofo. / Quem corre desabrida / Sem ceder a concha do ouvido / A ninguém que dela discorde / É esta / Selvagem sombra acavalada que faz versos como quem morde. "

Waly Salomão

26 de dezembro de 2008

o que diz a chuva

No dia 24 de dezembro, um enorme arco-íris cruzou o céu da cidade, pousando uma de suas extremidades no Morro do Corcovado, onde fica o Cristo Redentor. Suas cores brilharam, nítidas, até se esvaírem no céu cinzento da tarde. A manhã do dia 25, Natal, amanheceu nublada. A chuva logo cobriu os cantos da cidade, forte para se fazer notar, mas não forte o bastante para trazer destruição. Por trás do céu cinzento havia uma luminosidade difusa, um pedido preciso. A chuva parecia dizer: "calma, ouça, sinta o lado de dentro, o avesso das coisas. Venha, não tenha medo, chore quando é para chorar, ria quando é para rir. Isso é a alegria." Sejamos assim em 2009, corajosos e transparentes como as crianças.

17 de dezembro de 2008

quem conta um conto aumenta um ponto

Narramos tudo o tempo todo. O que vimos na feira, o que ouvimos no ônibus, o que aconteceu na pracinha, o que o beltrano disse, o que o sicrano contou. Descrevemos o tempo, o jogo de futebol, a consulta médica.

Os relatos sintéticos dão nervoso na gente – “ah, o show? foi legal”, “a festa? tava boa”. São tão rápidos que não rendem um fio sequer de enredo. E no reino da narrativa queremos nos enredar para ter o que desenrolar.

Outro dia, meu sobrinho, única criança numa festa enfadonha de adultos, se safou do tédio com um incrível brinquedo invisívelpalavras. Fizemos uma rodinha de criar/contar histórias. Minha avó começou:

"Uma foca jogou para o alto uma bola. A bola rolava e rolava e não parava de rolar..."

A história foi passando de boca em boca, sendo tecida por cada pessoa e por todos.

"Cada vez que rolava, a bola crescia até cair no mar. A essa altura a bola estava maior que a Terra e o mar se esvaziou. No deserto onde antes havia o mar, a foca topou com uma zebra e ficou hipnotizada pelas listras prateadas. A foca começou a puxar as listras do corpo da zebra, que disse "Ui ai ui ai ui".

Um disco voador furou a bola gigante que, vazia, caiu em cima da foca e da zebra como se fosse um toldo. A zebra e a foca fizeram umas estacas com as listras da zebra e levantaram o toldo, criando um circo.

Depois perceberam um brilhinho incomum saindo pelas frestas do porta-malas do disco voador. Tcharam! Os ETs haviam roubado as estrelas! Como estava tudo escuro, a foca usou o que restava das listras da zebra para construir uma escada. Muito desajeitada, a foca subiu na escada para grudar as estrelas no céu do circo. Tudo ficou lindo, iluminado por focos (não focas!) de luz. Por um instante todos se esqueceram daquela situação pouco usual e aplaudiram. Os bichinhos do fundo do mar, agora deserto, que estavam fora do circo acharam que era dia de São João. As palmas pareciam estalinhos. "Mas como assim? Festa de São João em dezembro?", disse um deles, incrédulo. Os outros deram de ombros e continuaram com sua reunião sobre como trazer o mar de volta. Tinham pouco tempo. O oxigênio estava acabando.

Os ETs tentaram descobrir que bicho era a zebra. Chegaram à conclusão – olhando a sua enciclopédia "Bichos que Crescem na Terra” –, de que deveria ser um cavalo. A zebra e a foca tiveram um ataque de riso, pois sempre haviam ouvido dizer que os ETs eram muito espertos e agora eles não pareciam nada espertos.

De repente a Terra começou a tremer. As estrelas no teto do circo tremeluziam. Todos tentaram se enfiar dentro do disco voador, mas este era achatado e cabiam mesmo os ETs. A foca e a zebra tiveram que ficar em cima do disco voador. Por causa disso ele ficou ainda mais achatado.

Um elefante veio chegando vagarosamente, levantou a tromba e esguichou o mar inteiro sobre a Terra criando uma onda enorme como um tsunami. A sorte é que o disco voador virou um veleiro (o toldo do circo serviu de vela). Todos foram dar uma volta ao mundo, coisa que encantou os ETs, pois nunca na vida eles haviam apreciado os peixes e os golfinhos saltando da água, as gaivotas sobrevoando as ondas e o som melodioso das baleias."

E quem quiser que conte outra.

14 de dezembro de 2008

o ar fresco da serra

Marcamos a data. E desmarcamos a data. Foram várias as tentativas de subir até Petrópolis para apresentar a fada inflada para os alunos de música da Nana Carneiro da Cunha, que integra a nossa banda das fadas (e que também é ceramista, rara cozinheira, cultivadora de especiarias e orquídeas, violoncelista, cantora e compositora inspirada, hilária companheira de aventuras de toda sorte, e mais). O dia em que viajaríamos amanheceu chuvoso e cinzento, as pedras do Rio cobertas de névoa. Além disso, grande parte da banda não podia ir. Será que desmarcamos mais uma vez? De jeito nenhum!

À medida que subíamos a serra, a neblina foi ficando para trás. Aos poucos, o desvario de verde que margeia a estrada começou a limpar nossos olhos e pulmões. Dormimos na casa deliciosa da avó da Nana, depois de tomar sopa de abóbora e agrião. O dia seguinte estalava de tão límpido, azul, com nuvens gordas branquíssimas. Um vento frio percorria os corredores da casa. Corremos para o ciep Santos Dumont (companheiro perfeito para a fada), passando antes no centro da cidade para comprar o combustível para o vôo, hélio.

As crianças estavam nos esperando desde cedo. Cercaram o carro querendo nos ajudar a carregar as coisas. Cada leitura da fada é bem diferente. Dessa vez teríamos que cantar as músicas apenas acompanhadas de um pandeiro e um violão. Na verdade, a falta dos instrumentos e de marcações mais precisas deixou a gente mais livre para os gestos e o improviso. Cada palavra ganhou corpo. Cada careta puxou um movimento engraçado. E quando a fada "ficou cheia e saiu flutuando", corremos todos para fora do ginásio para vê-la desaparecer aos poucos numa nuvem graúda. As crianças acompanharam cada detalhe da leitura com tanta atenção e alegria que tudo virou mágica! Veja as fotos abaixo...

6 de dezembro de 2008

a trupe subindo a serra

desacertos graciosos

O dia nasceu azul. Corremos para o lindo jardim do Museu da República para apresentar a fada inflada na festa de 30 anos da escola Oga Mitá. Após tantas leituras tranqüilas ao longo do ano, a fada finalmente apresentou sua faceta endiabrada! Cheia de tropeços cômicos, a leitura nos rendeu boas risadas. Teatro é assim. Tem dia em que tudo está afinado. Tem dia em que os objetos de cena brigam com a gente e as palavras saem da boca de trás pra frente. A o vento fez travessuras. Levou a fada para o céu com a força de um aspirador gigante. E o pai mago, coitado, perdeu seu corpo triangular que foi parar na cabeça do Felipe – pai da Tati Altberg, da nossa banda. Mas nesse espetáculo, até o erro é acerto. Como diz um dos versos do livro: “Fada era tranqüila e comportada, travessa e endiabrada. Um pouco certinha e também estabanada”. A graça, afinal, é essa. Parabéns Oga Mitá!

11 de novembro de 2008

as meninas

O roteiro do curta A Festa que Caiu do Céu, dirigido pela Karen Akerman, foi inspirado numa menina chamada Rosa Marina. A gente teve a sorte de encontrar a Clara, que deu voz e vida à personagem Rosa, no filme, com um talento incrível e uma energia inesgotável. Na sessão do filme no Odeon, as duas finalmente se encontraram. Rosa Morena e Rosa Clara. Lado a lado.

a fada e a Clara

10 de novembro de 2008

7 de novembro de 2008

1 de novembro de 2008

A festa que caiu do céu - sessões

Odeon Petrobras Praça Mahatma Ghandi, 2 Cinelândia / seg, 3 de nov 14h / qui, 6 de nov 14h / sab, 8 de nov 13h /
Caixa Cultural 2 Av. Almirante Barroso, 25 Centro / sab, 1 de nov 16h / dom, 9 de nov 16h /
Ponto Cine Guadalupe Shopping Estrada do Camboatá, 2300 / sab, 8 de nov 14h / ter, 11 de nov 14h / qua, 12 de nov 14h / qui, 13 de nov 14h /

Programa Infantil 1

63 min

De Zwemles . Danny De Vent . 9 min . Anim . Bélgica/França/Holanda Le Voyage Extraordinaire . 3 min . Fic . Fabien Dettori . França O Povo Atrás Do Muro . Marconi Loures De Oliveira . Anim . 8 min . MG Kindsein Im Iran - "Father And Son" . Behrooz Karamizade . 10 min . Doc . Irã/Alemanha Rybka . Sergei Ryabov . 10min . Anim . Rússia . A Festa Que Caiu Do Céu . Karen Akerman . Fic . 13 min . RJ Jauna Suga . Evalds Lacis . 10 min . Anim . Letônia